A Igreja grávida

Diácono José Carlos Pascoal – Paróquia São Benedito - Salto/SP

Uma dos mais belos momentos dos Evangelhos é a visita de Maria à sua prima Isabel. O encontro das duas grávidas não tem o condão de provocar simplesmente emoção, mas reflexão profunda do amor de Deus por nós e graça do serviço, impulsionada pelo Espírito Santo. Santo Ambrósio descreve esse momento: “Logo ao ouvir a notícia Maria dirigiu-se às montanhas, não por falta de fé na profecia ou falta de confiança na mensagem, nem por duvidar do exemplo dado, mas guiada pela felicidade de ver cumprida a promessa, levada pela vontade de prestar um serviço, movida pelo impulso interior de sua alegria” (Lib. 2 – Século IV).

Maria não se preocupou em contar a novidade de sua gravidez divina, mas correu a prestar um serviço, pois uma mulher idosa e até então estéril, precisaria de ajuda. Não foi para simplesmente conferir se o que o anjo disse era verdade, mas para dar graças a Deus pela prima e pela graça de poder ser serva. Prossegue Santo Ambrósio: “Isabel foi a primeira a ouvir a voz, mas João foi o primeiro a pressentir a graça; aquela ouviu segundo a ordem da natureza, este exultou em virtude do mistério. Ela percebeu a chegada de Maria, ele, a do Senhor; a mulher ouviu a voz da mulher, o menino sentiu a presença do Filho; elas proclamam a graça de Deus, eles realizam-na interiormente, iniciando no seio de suas mães o mistério da misericórdia; e, por um duplo milagre, as mães profetizam sob a inspiração de seus filhos”.

Assim também entendo a Igreja: grávida, gestando a Palavra, está sempre pronta à servir, não apenas visitando os necessitados, os excluídos, os doentes, os idosos, os encarcerados, os sem-teto, mas sempre disposta a prestar serviço, a continuar a missão da Serva do Senhor, Maria. Enquanto a Igreja saúda os visitados, o Filho provoca a exultação pelo Espírito, chega primeiro para oferecer a graça que a Igreja tem a missão de transmitir.

“A graça do Espírito Santo ignora a lentidão. Manifestam-se imediatamente os benefícios da chegada de Maria e da presença do Senhor, pois quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança exultou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo (cf. Lc 1,41)” – Santo Ambrósio. Assim também deve ser a Igreja através de seus servos: agir sem lentidão, cheia do Espírito Santo, levando as pessoas a ficarem exultantes no Senhor. Em missão ou ação pastoral, muitas vezes nos preocupamos em “visitar” pessoas famílias. Não deve ser assim. Assim como Maria, a Igreja, grávida, gestando a Palavra, gestando o Salvador, sai à serviço, é Igreja em saída, como nos exorta o papa Francisco.

Que esta gestação não se fixe apenas no Tempo do Advento, mas em todo O Tempo de Deus, isto é, em todos os momentos da vida. Um alento e uma responsabilidade a nós, os diáconos: sempre prontos à servir, ignorando a lentidão, mas vendo a necessidade do próximo. Por isso, somos imagens do Cristo Servidor. Santo Estevão e São Lourenço, rogai por nós.