Creio na ressurreição da carne

Padre José Luiz Nascibem, vigário paroquial.

Neste mês de novembro a Igreja Católica lembra e celebra a Comemoração de todos os Fiéis Defuntos. A visita ao cemitério e ao túmulo dos falecidos nos faz levantar questionamentos sobre o mistério de nossa existência: como viemos a existir? Para que vivemos? Por que morrer? Por que alguns morrem tão cedo? A morte assinala o fim de tudo, ou há esperança de algo mais, além da morte? Tem valor a oração pelos falecidos?

Desde a época do cristianismo primitivo os cristãos rezavam por seus mortos, em especial pelos mártires, onde estes eram frequentemente enterrados: nas catacumbas subterrâneas da cidade de Roma. O costume de rezar pelos mortos foi sendo introduzido pouco a pouco na liturgia da Igreja Católica. O principal responsável pela instituição de uma data específica dedicada à alma dos mortos foi o monge beneditino Odilo (ou Odilon) de Cluny.

Odilo (962-1049) tornou-se abade de Cluny, em Borgonha, na França, uma das principais abadias construídas no mundo medieval e responsável por importantes reformas no clero no período da Baixa Idade Média. Em 02 de novembro de 998, Odilo instituiu aos membros de sua abadia e a todos aqueles que seguiam a Ordem Beneditina a obrigatoriedade de se rezar pelos mortos. A partir do século XII, essa data popularizou-se em todo o mundo cristão medieval como o Dia de Finados, e não apenas no meio clerical.

Não fazemos culto aos mortos, nem celebramos a Missa “em homenagem aos falecidos”, mas apenas para a adoração e o louvor de Deus. Celebrar “em sufrágio” dos falecidos, quer dizer, em favor deles, intercedendo diante do Deus da vida em favor deles. Para cada um, o tempo das escolhas e de acolher os caminhos de Deus são os dias desta vida e quem faleceu já não pode fazer nada em seu próprio favor.
Também neste dia, e não somente nele, nos colocamos diante da morte. Não gostamos de falar deste assunto, mas ela faz parte da vida. Não querer falar sobre a morte é não querer falar sobre a vida. Diante da morte devemos nos questionar como estamos vivendo a vida.

Para o cristão o que é morte e qual a nossa esperança? A morte é o termo da vida terrena. As nossas vidas são medidas pelo tempo no decurso do qual nós mudamos e envelhecemos. E como acontece com todos os seres vivos da terra, a morte surge como o fim normal da vida. Este aspecto da morte confere uma urgência às nossas vidas: a lembrança da nossa condição de mortais também serve para nos lembrar de que temos um tempo limitado para realizar a nossa vida. (CIC 1006)

O que é ressuscitar? Na morte, separação da alma e do corpo, o corpo do homem cai na corrupção, enquanto a sua alma vai ao encontro de Deus, embora ficando à espera de se reunir ao seu corpo glorificado. Deus, na sua omnipotência, restituirá definitivamente a vida incorruptível aos nossos corpos, unindo-os às nossas almas pela virtude da ressurreição de Jesus. (CIC 997)

O prefácio da terceira missa deste dia lembra-nos que: “por nossa culpa somos condenados a morrer, mas quando a morte nos atinge, vosso amor de Pai nos salva pela vitória de Cristo que nos faz com ele reviver. Este e o amor de Deus que não nos abandona nas nossas fraquezas que levam a morte”.