Refletindo o Mês Vocacional

Seminarista Messias Maciel Romão, diocese de Jundiaí, SP

A saber, no mês de agosto refletimos sobre as vocações: sacerdotal, diaconal, religiosa, familiar e leiga. É um mês em que refletimos e orarmos pelas vocações e ministérios pertinentes à Igreja. Foi instituído na 19ª Assembléia Geral da CNBB em 1981, o Mês Vocacional tem como objetivos conscientizar as comunidades da responsabilidade que elas compartilham no processo vocacional.

Presente na maioria das Paróquias a Pastoral Vocacional tem buscado celebrar este mês com animação e criatividade tendo sempre por finalidade suscitar novas vocações. A cada domingo a celebração litúrgica é dedicada a uma vocação específica. Normalmente a própria liturgia da Palavra de cada dia, em especial as dominicais, dá o tema principal da reflexão e meditação trazida para alimento do povo de Deus. É costume, neste mês, comemorarmos as diversas vocações a cada semana.

No primeiro fim de semana voltamos nossa atenção à vocação sacerdotal, tendo em vista que no dia 04 de agosto celebra-se o dia do padroeiro dos sacerdotes São João Maria Vianney. O sacerdote age em nome de Cristo e é seu representante dentro daquela comunidade. Escolhido por Deus, conforme narra o evangelista João: “Não fostes vós que me escolhestes; fui eu que vos escolhi...” (cf. Jo 15, 16ss). Ao sacerdote compete ser o pastor e pai espiritual pata todos sob sua responsabilidade. Pela caridade pastoral ele deve buscar ser sinal de unidade e contribuir para a edificação e crescimento da comunidade de forma que ela torna-se cada vez atuante e verdadeira na vivência do Evangelho.

No segundo Domingo celebramos a vocação da Família, aliás, no segundo fim de semana de Agosto celebramos o dia dos Pais. Em tempos de violência e perda de valores, a valorização da família é essencial para a sociedade como um todo. Porventura, o santo Papa João Paulo II já sublinhava a importância da família em seu documento Familiaris consortio dizendo que “a família é o alicerce da sociedade”. A família é chamada por Deus a ser testemunha do amor e da fraternidade, colaboradora da obra da Criação. Compete aos Pais que o amor, a compaixão e harmonia reinem em seus lares.

No terceiro domingo do mês vocacional, a Igreja recorda a vocação à vida religiosa. Tal vocação advém do testemunho de homens e mulheres que consagram suas vidas a Deus e ao próximo, seja realizada dentro dum Mosteiro ou Convento numa vida ascética ou numa vida secular donde experimentam Deus ante as mazelas humanas. Desta vocação brotam carismas e atuações que enriquecem nossas comunidades com pessoas que buscam viver verdadeiramente seus votos de castidade, obediência e pobreza. São testemunhos vivos do Evangelho. Perseverantes, os religiosos (as) estão a serviço do Povo de Deus por meio da oração, das missões, da educação e das obras de caridade. Com sua vida consagrada, eles demonstram que a vivencia evangélica é plenamente possível de ser vivida, mesmo em um mundo excessivamente material e consumista. São sinais do amor de Deus e da entrega que o homem é capaz de fazer ao Senhor.

Por fim, no quarto Domingo celebramos a vocação laical. Esta vocação deriva do testemunho de homens e mulheres que no âmbito familiar e social demonstram suas experiências com as coisas sagradas, por isso que, dedicam-se aos trabalhos pastorais e missões nas paróquias as quais pertencem. Nesta missão – ainda que haja uma hierarquia – todos temos uma mesma igualdade, “Fiéis são aqueles que, por terem sido incorporados em Cristo pelo Batismo, foram constituídos em povo de Deus e por este motivo se tornaram, a seu modo, participantes do múnus sacerdotal, profético e real de Cristo e, segundo a própria condição, são chamados a exercer a missão que Deus confiou à Igreja para esta realizar no mundo”. Os leigos atuam como colaboradores dos padres na catequese, na liturgia, nos ministérios de música, nas obras de caridade e nas diversas pastorais existentes. Ser leigo atuante é ter consciência do chamado de Deus a participar ativamente da Igreja e do Reino contribuindo para a caminhada e o crescimento das comunidades rumo a Pátria Celeste. Assumir esta vocação é doar-se pelo Evangelho é estar junto a Cristo em sua missão de salvação e redenção da humanidade.

Para tanto, possamos fazer bom uso de nossa consciência, segundo o Catecismo da Igreja Católica, “Deus fala ao homem pela voz da consciência”. Atento a este chamado possamos ouvir o chamado de Deus a uma vocação específica. Sejamos uma Igreja viva e atuante na história, sobretudo neste tempo onde predomina o egoísmo no coração de muitos homens e mulheres que buscam seus próprios interesses e se esquecem de outrem. É justamente uma Igreja peregrina que o papa Francisco nos conclama a sermos: “Convido todo o cristão, em qualquer lugar e situação que se encontre, a renovar hoje mesmo o seu encontro pessoal com Jesus Cristo ou, pelo menos, a tomar a decisão de se deixar encontrar por Ele, de procurá-Lo dia a dia sem cessar”.