Festa do Corpo e Sangue de Cristo: projeto de Deus para humanidade.

Padre José Luiz Nascibem, vigário paroquial

Neste mês iremos celebrar a Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, também chamada de Corpus Christi. É sempre celebrada na Quinta-Feira após a Solenidade da Santíssima Trindade. Foi no século XIII, numa época de controvérsias sobre a presença de Cristo nas espécies consagradas, que a Igreja introduziu esta solenidade, ajudando-nos assim a fazer da Eucaristia "o memorial de sua Morte e Ressurreição: o sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade, banquete pascal, em que Cristo nos é comunicado em alimento, o espírito é repleto de graça e nos é dado o penhor da futura glória" (SC 47).

A Eucaristia é memorial de Deus que atuou e continua presente na história. Por isso, a Eucaristia é uma memória dinâmica, aberta, ágil e transformadora, que impulsiona na busca do novo céu e da nova terra, comprometendo a organização e a vivência de relações sociais e comunitárias à luz do projeto de Jesus.

A eucaristia, poderíamos dizer, tem três momentos que formam a beleza do sacramento. O primeiro momento é aquilo que Jesus quis de imediato com a eucaristia: que nos reuníssemos e nos lembrássemos dele, construindo, assim, uma comunidade. É o que fazemos a cada domingo, a cada dia. Nós não estamos isolados, sozinhos, nos lembrando de Jesus, mas fazemos sua memória comunitariamente.

O segundo momento é para que, ao nos recordarmos dele, participando do pão e do vinho, que é a sua presença real, o Espírito Santo nos transforme numa comunidade em função dos outros. É para fora. Ele quer que testemunhemos amor, bondade, compreensão, cuidado, em função daquele que precisa de nós. Recebemos o Senhor na eucaristia para sermos para os outros. Não o recebemos para tê-lo conosco, muito bem guardado em nossa vida. São João Crisóstomo pergunta: "Com efeito, o que é o Pão? É o corpo de Cristo. E em que se transformam aqueles que o recebem? No corpo de Cristo; não muitos corpos, mas um só corpo. De fato, tal como o pão é um só apesar de constituído por muitos grãos, e estes, embora não são vistos, todavia estão no pão, de tal modo que sua diferença desapareceu devido à sua perfeita e recíproca fusão, assim também nós estamos unidos reciprocamente entre nós e, todos juntos, com Cristo" (Ecclesia de Eucharistia, 23).

O terceiro momento é o pão sacramental, uma vez que Ele está em nosso meio, nós podemos adorá-lo, fazer visitas ao Santíssimo, levar a comunhão aos enfermos. O que não podemos fazer é inverter a ordem. Não podemos nos contentar apenas com a adoração de Jesus sem partilhar nada, sem ter comunidade. Precisamos celebrar a eucaristia para nos lembrarmos de Jesus, segui-lo, testemunhá-lo aos outros, até que toda a comunidade seja inundada por milhões de sacrários pelo mundo afora.
Que nesta Festa o encontro com Cristo, aprofundado na Eucaristia, suscite, em cada um de nós, a urgência de testemunhar e de evangelizar. Entrar em comunhão com Cristo no memorial de sua Páscoa significa, ao mesmo tempo, experimentar o dever de fazer-se missionário do acontecimento libertador atualizado pela celebração eucarística.